Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo
| Notícias - Igreja em Foco |
O décimo terceiro domingo do Tempo Comum celebra este ano a festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. Esta data, celebrada solenemente na Igreja de Roma, é rica de estímulos para todas as comunidades cristãs. A tradição quer que Pedro e Paulo faleceram mártires no mesmo dia, a 29 de junho do ano 67 ou 68, um crucificado na colina vaticana – muito provavelmente no mesmo lugar em que hoje se levanta a basílica de São Pedro – e o outro decapitado na Via Ostiense. Eles são chamados as colunas da Igreja romana. Tertuliano os lembra como aqueles que doaram a Roma sua doutrina junto com seu sangue. Por isso, junto à Igreja do Oriente (que os celebra logo após o Natal), podemos cantar “o louvor a Pedro e a Paulo, estas duas grandes luzes da Igreja, eles brilham no firmamento da fé”.
Eles voltam hoje em nossas assembléias litúrgicas dominicais e continuam a ensinar juntos sejam com as palavras que nos deixaram seja com o seu testemunho de vida.
Voltam juntos, quase a repetir a mesma missão antiga: Jesus, lembra Mateus, chamou seus discípulos e os enviou dois a dois. Pedro e Paulo, da distante Palestina, foram mandados para a Europa até Roma, para anunciar o Evangelho. Era muito diferentes um do outro: “humilde pescador da Galileia” o primeiro, “mestre e doutor” o outro, como canta o prefácio da Liturgia deste dia. Diferente foi também sua história de crentes. Pedro foi chamado por Jesus enquanto consertava as redes às margem do mar da Galileia; era um simples pescador que realizava honestamente seu trabalho, às vezes muito pesado.
No entanto, não era ausente de sua alma a angústia por causa de uma vida monótona e chata, e sobretudo sentia forte o desejo de um mundo novo, quando seria derrotadas a indiferença e a inimizade. E, logo que aquele jovem Mestre de Nazaré o Chamou a uma vida mais ampla e a pescar homens e não peixes, Simão, “deixadas de imediato as redes, o seguiu”. O encontramos depois entre os Doze, com o típico temperamento de uma pessoa ardorosa e segura de si; também se foi suficiente a voz de uma empregada para levá-lo a renegar o Mestre.
O verdadeiro Pedro é aquele fraco que se deixa tocar pelo Espírito de Deus e, por primeiro, proclama “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”, como lemos no Evangelho proclamado neste domingo. E Jesus fez desta fraqueza a “pedra” que deveria depois confirmar os irmãos. Sobre esta “pedra” teria levantado a sua Igreja. E vemos Pedro, no dia de Pentecostes, sair do cenáculo e anunciar com a força do Espírito o Evangelho da ressurreição. Pedro não perdeu seu “jeitão” de Galileu, que deixou transparecer no pátio do Sumo Sacerdote, mas no dia de Pentecostes conseguiu fazer-se entender por todos os povos em sua própria língua. Pedro deixou-se finalmente levar pelo Espírito. E, para que comunicasse o Evangelho até Roma para realizar seu misterioso plano, Deus o libertou arrancando-o da mão de Herodes.
Também Paulo teve tantas paixões, com ódios intensos e ressentimentos. Quando jovem, o encontramos ao lado daqueles que estava lapidando Estêvão; estava guardando os mantos dos lapidadores. Estava decidido em combater a jovem comunidade cristã. Conseguiu até autorização para persegui-la e acabar com ela logo ao nascer. Mas na estrada de Damasco, Jesus o fez cair do cavalo de suas seguranças e de seu orgulho, muito mais fortes e firmes do cavalo que montava. No chão, na poeira, levantou os olhos ao céu e viu o Senhor. Desta vez, como Pedro após a renegação, também Paulo sentiu um toque no coração: não teve o dom das lágrimas, mas seus olhos ficaram fechados e não viam mais. 
Ele, acostumado a liderar os outros, teve que ser conduzido pela mão e levado até Damasco. A aí, com a ajuda dos irmãos, ouviu o Evangelho que lhe abriu os olhos e o coração. E, imediatamente, como fez Pedro, iniciou a seguir o Mestre. O encontro com a Palavra de Jesus, a todo momento da vida, gera sempre um “já”, um corte decidido com o seu passado para se tornar discípulo do Evangelho. E a história de Pedro, é a história de Paulo, mas também a história de todo aquele que quer seguir Jesus. Não é possível ouvir com o coração sua palavra e ficar parado no próprio lugar, fechados em seus próprios hábitos, agarrados nas próprias idéias, firmes no próprio orgulho.
O Evangelho, se ouvido, faz sempre cair do cavalo do próprio egocentrismo. Paulo, seduzido por Jesus, anunciou antes aos hebreus e depois aos pagãos, fundando muitas comunidades cristãs na Ásia Menor. Chamado em sonho do macedônio, chegou à Europa para aí anunciar o Evangelho de Jesus. Queria chegar até a Espanha, ou seja até os confins da terra, então conhecidos. Para realizar esta missão, não teve medo de se opor até mesmo a Pedro.
“Mas o Senhor esteve a meu lado e me deus forças – escreve a Timóteo -, ele fez com que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente e ouvida por todas as nações; e eu fui libertado da boca do leão. O Senhor me libertará de todo mal e me salvará para o seu reino celeste”.
A Igreja, desde o início, os quis lembrar juntos, quase querendo recompor em unidade o testemunho deles. Eles, com suas diferentes riquezas, com seu carisma, fundaram uma única Igreja. As características deles, de certo modo, fazem parte da fé e da vida da Igreja e de toda comunidade cristã. Se poderia afirmar que não se pode ser cristãos de modo claramente idêntico e avaramente uniforme.
A nossa fé deve respirar com o espírito destas duas testemunhas: com a fé humilde e firme de Pedro e com o coração amplo e universal de Paulo, e sobretudo com a disposição a derramar também o sangue pelo Evangelho. Cada crente e toda Igreja deve viver não por si mesma, mas porque o Evangelho seja anunciado até os confins da terra.
Hoje, os apóstolos Pedro e Paulo voltam a se sentar em meio das nossas assembléias eucarísticas, como fizeram em sua época, e exortam a não nos fecharmos, a não pensar só em nossos problemas particulares, e não nos deixar levar pelo espírito de auto-referência que envenena o espírito, mas a sentir a urgência de confirmar a fé dos irmãos e de sair para anunciar o Evangelho aos que ainda não o acolheram.
Aquela cena nas margens do mar da Tiberíades e a outra no caminho de Damasco, são duas maneiras diferentes de um mesmo chamado. Em ambos foi dito “Siga-me!”. E eles seguiram.
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