Igreja e Chávez em guerra aberta
| Notícias - Igreja em Foco |
O secretário da Conferência Episcopal Venezuelana, o bispo Jesús González, deu voz ao sentimento do resto dos bispos do país quando classificou as palavras de Chávez como “ataques”. “Quando se abusa do poder, como no ato solene de ontem [segunda-feira], todos devemos estar atentos às pretensões hegemônicas do presidente”.
Na segunda-feira, durante uma sessão especial do parlamento por ocasião do 199º aniversário da independência, Chávez classificou o arcebispo de Caracas como “troglodita” e pôs em causa a sua dignidade de cardeal, afirmando que, quando foi sondado, tinha-se mostrado contra a elevação de Urosa ao cardinalato.
Para ele, afirmou Chávez, o verdadeiro cardeal venezuelano devia ser o bispo de Sán Cristobal Mario Moronta. Estes comentários foram vistos com alarme pela Igreja venezuelana. “É mau que se possa pensar que um Estado tenha qualquer ingerência em assuntos internos da Igreja”, afirmou González, reafirmando que a escolha de bispos e cardeais é de exclusiva responsabilidade do Papa.
O próprio Moronta veio a público distanciar-se das palavras do presidente. “É verdade que podemos ter opiniões diferentes, mas numa democracia devemos respeitar as opiniões e as posturas e, por isso, parece-me que dizer que um Cardeal é indigno e um troglodita não é próprio da investidura do presidente.
A sessão de segunda-feira, Chávez reagia contra uma entrevista dada por Urosa, na qual se acusava o regime venezuelano de caminhar para um sistema ao estilo de Cuba. Jesús González reafirmou ontem essas preocupações, alargando o fosso entre Chávez e a hierarquia católica. “Há decisões do Governo nacional que apontam a um regime que é distinto daquele que está consagrado na Constituição”, afirmou o secretário da Conferência Episcopal.
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