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Uma radiografia dos adolescentes das favelas

Notícias - Notícias Gerais

O relato de um professor da rede pública de ensino sobre a situação dos estudantes que vivem no complexo de favelas da MaréO relato de um professor da rede pública de ensino sobre a situação dos estudantes que vivem no complexo de favelas da Maré, um dos primeiros cartões-postais às avessas apresentados ao turista que chega ao Rio pela Linha Vermelha, foi de impressionar. Publicada na edição de ontem deste Jornal do Brasil, a entrevista mostra o quanto é preocupante e complicado o desafio da educação nos bolsões de miséria das periferias das grandes cidades.

Segundo o professor, que, obviamente, pediu anonimato à repórter do JB, é notória a admiração de muitos jovens, e até crianças, pela figura do traficante. O contraponto, que deveria ser oferecido pela polícia, se perde nos episódios de corrupção e abuso de autoridade vivenciados por esses mesmos estudantes e suas famílias. Apesar do desmentido d e um major da PM lotado no 22º Batalhão (Maré), publicado na mesma reportagem, o professor diz que os policiais militares não realizam operações no interior do complexo, permanecendo lá dentro a lei imposta pelos traficantes de drogas.

Por incrível que possa parecer, as informações são de que uma das bocas de fumo funciona à luz do dia a poucos metros do quartel da Polícia Militar. Além da nebulosa relação entre policiais e bandidos – ou até muito em função desta – a cabeça de muitos desses 15 mil alunos da rede pública na Maré se mostra um tanto confusa.

A violência explode perto dos colégios, quando uma gangue ligada à facção rival se posta na entrada do estabelecimento para brigar com os outros garotos e até mesmo violentar meninas. Com pais ausentes na maior parte do dia por conta do trabalho, esses adolescentes ficam entregues à dicotomia entre mocinho e bandido nas ruas ou às mensagens veiculadas pela televisão, que pouco ou nada têm a ver com aquele cotidiano.

Segundo o professor, a sexualização precoce é evidente em ambos os sexos e se expande naquele universo, alimentada em muito pela própria TV. Apesar disso, o mestre detecta em um número grande de alunos a opção pela honestidade e a vontade de estudar para ajudar a família a sair dali. Nem tudo está perdido.

 


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