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CIMI reclama de negligência e critica “extermínio dos povos indígenas”

Notícias - Notícias Gerais

O alto índice de mortalidade infantil registrado nas aldeias da nação Xavante, em Campinápolis/MT seria resultado do abandono, omissão e negligência do governo de BrasíliaO alto índice de mortalidade infantil registrado nas aldeias da nação Xavante, em Campinápolis/MT seria resultado do abandono, omissão e negligência do governo de Brasília: a análise é do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) que define a situação como "extermínio dos povos indígenas".

Em artigo assinado por Iara Tatiana Bonin, membro do Cimi/RS, a mortalidade infantil indígena é criticada pela entidade por seus números alarmantes. No texto, Iara Bonin lembra que a terra indígena Parabubure, do povo Xavante, localizada a 562 km de Cuiabá, apresenta uma taxa de mortalidade infantil preocupante.

"Segundo noticiou a imprensa de Mato Grosso, das 200 crianças nascidas no ano passado, 60 morreram em decorrência de doenças respiratórias, parasitárias e infecciosas, o que corresponde a 30% do total de nascimentos no período" – diz o artigo. E a indigenista completa: "Esta terra indígena está registrada desde 1987, mas a comunidade Xavante sofre com a falta de assistência adequada à saúde, já tendo ocorrido casos de mortes por falta de assistência, denunciados pelo Conselho Indigenista Missionário, no Relatório de Violência contra os Povos Indígenas de 2009.

" As mais de 100 comunidades situadas na região do Médio Araguaia – acrescenta Iara – reclamam da falta de veículos, de medicamentos e de equipes técnicas para dar assistência às mais de sete mil pessoas que vivem ali.

A situação é precária, não há médicos, enfermeiros e nem meios de transporte para levar os doentes à cidade. Tal como ocorre na terra indígena Vale do Javari, no Amazonas, os índices de mortalidade infantil na aldeia Xavante de Campinápolis chegam a quase 100 óbitos para cada 1.000 crianças que nascem. "Em outubro de 2010, lideranças indígenas acamparam na sede da Funasa, protestando contra a falta de uma política adequada de atenção à saúde indígena. Apesar das diferentes formas de mobilização e de luta dos povos indígenas, no dia-a-dia o que eles encontram é o abandono e a omissão" – completa Iara Bonin, que é professora adjunta na Universidade Luterana do Brasil.

"Privilegiando interesses econômicos e políticos específicos – diz Iara, referindo-se ao Planalto – o governo federal colabora para tornar hostis as relações estabelecidas com setores sociais menos favorecidos, em especial as populações indígenas. Para Iara, sejam quais forem as metas econômicas traçadas para o país, a morte de tantas crianças, pertencentes a povos historicamente tão massacrados, não pode ser considerada aceitável.

E em nenhuma circunstância, a negligência com os direitos desses cidadãos do presente e do futuro pode encontrar amparo em uma sociedade que se define democrática. "Tal como o nascimento, na cultura ocidental contemporânea, a morte também pode adquirir diversos significados; mas a morte que decorre da omissão do Estado não pode, de modo algum, ser esquecida. Não há como calar a voz diante do extermínio lento e gradativo dos povos indígenas" – conclui Iara Bonin.

 


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