Vida Eterna
| Paroquia - Palavra do Pároco |

"Bom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?"
Estamos diante da pergunta religiosa do homem de todos os tempos: o que fazer para salvar-se? Quem faz esta pergunta não é um sujeito qualquer, que se contenta com qualquer coisa.
Até aqui, não havia nada a objetar a quem fez a pergunta, mas enaltecer uma atitude tão honesta com as exigências do seu coração, com suas perguntas infinitas e imensas. Mas este homem, que busca um Bom Mestre, encontrar-se-á com alguém insuspeito que colocará em crise seus usos e costumes. Jesus vai repassando o que seu interlocutor sabia: não matar, não cometer adultério, não roubar, não enganar nem estafar, honrar os pais...
Podemos imaginar a cara de insatisfação daquele homem diante do seu brilhante currículo espiritual. Tudo o que o Bom Mestre ia enumerando ele já cumpria, já sabia, desde sua mais terna infância!
Estaria certo de sua entrada na vida eterna? Tinha todos os seus papéis em dia para merecer a salvação definitiva? Havia pagado todas as prestações de sua eternidade em moeda de mandamento cumprido, já desde pequeno?
Chegando a este ponto, o diálogo fica suspenso no ar. "Jesus olhou para ele com amor e disse: ‘Só uma coisa te falta'." O que será que aquele homem pensaria sobre este requisito que lhe faltava, segundo o Bom Mestre? Algum novo mandamento? Aquele bom homem praticava uma espécie de "consumismo religioso". Ele era rico de tantas coisas, mas também queria acumular seu tesouro de virtude, seu cofre de mandamentos e cumprimentos, para não ser pobre em nada.
Quanto seria preciso pagar? O que falta para ter também a vida eterna? A surpresa é que Jesus não lhe pede para "acrescentar" isso que falta às suas provisões, e sim que deixe os obstáculos, que abandone coisas, que renuncie a si mesmo... E então, que o siga, que vá com Ele, que compartilhe sua vida, que anuncie sua Palavra, que construa seu Reino.
Este era o novo mandamento, o único mandamento, a grande novidade: seguir o Bom Mestre, deixando todo o resto. A salvação não é fruto das nossas conquistas, dos nossos pagamentos cumpridores; é um dom, um presente, uma graça, que Deus nos oferece em seu Filho: a salvação é encontrar-se com Jesus Cristo. Segui-lo e imitá-lo foi o que fizeram os que verdadeiramente se encontraram com Ele.
Tal encontro tão se reduz a um intimismo privado, pelo contrário: transforma-se em uma santidade que dá glória a Deus e que abençoa os irmãos, frutificando em mil empresas de caridade, de humanização, de liberdade, de justiça e de paz.
Pe. Wagner Galvão,sdb.
Pároco
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